Por Jorge Barboza
O Teatro Oficina abre suas portas, nesta segunda (16/02), às 21h, para a leitura dramática da peça “O Amante Brasileiro”, de Betty Milan. O texto discorre sobre o amor, sobre as possibilidades de construção da relação amorosa. Três personagens: Sébastien, Clara e Claude. A autora diz, concordando com o crítico, que, assim como “Ligações Perigosas”, a ultrajante obra do francês Choderlos de Laclos, seu romance –agora peça teatral– é “epistolar”. Bem, vamos combinar, “Ligações Perigosas”, apesar de uma narrativa construída a partir das cartas trocadas entre seus horripilantes personagens (especialmente o Visconde de Valmont e sua parceira de crimes amorosos Marquesa de Merteuil), não é um livro qualificado, num sentido assim, digamos, edificante. Vejam as epístolas de Paulo, João, Pedro, Tiago… Trazem a mensagem do sublime, a boa nova anunciada pelo Jesus; é assim que as epístolas são, feitas para elevar o espírito, não para mortificá-lo.
“Ligações Perigosas”, todo mundo conhece, é puro veneno, e mesmo as cartas escritas pela inocente Madame Tourvel são de uma ilusão comprometedora, quase levianas. Mas o crítico tem razão. A peça a ser apresentada nesta segunda, naquela casa exemplar –o velho Oficina de guerra, erguido, encarnado pelo dionisíaco José Celso Martinez Corrêa–, é, sim, uma obra epistolar, pois a correspondência, aí, os e-mails trocados pelos amantes Sébastien e Clara, ao contrário das missivas disparadas no polêmico romance de Laclos, só enaltecem o amor.
|